O Trio Elétrico consiste em estrutura metálica construída sobre o chassi de caminhão ou carreta, sendo composta basicamente pela área superior, cercada por guarda-corpos e servindo como palco para os artistas e áreas de convidados, e pela parte interna da estrutura, que abriga os geradores de energia, equipamentos de som, camarins e banheiros. Externamente, visualizam-se os P.A.s (do inglês public arrays), que são os grupamentos de caixas de som, voltados para todos os lados do trio, promovendo a sonorização em todas as direções. Os P.A.s dianteiro e traseiro normalmente são mais elevados do que o restante da estrutura, promovendo assim um maior alcance do som nestas direções, e dão o visual característico e imponente dos trios.

 

Trio Elétrico do tipo truck, típico dos anos 1990.

Até o final dos anos 1990, os maiores trios elétricos eram montados sobre caminhões do tipo “truck” (sem articulação, com um eixo dianteiro e dois eixos traseiros). A característica marcante do visual destes trios era o P.A. dianteiro sobreposto à cabine do caminhão, avançando além o limite do para-choques dianteiro muitas vezes, o que promovia uma melhor sonorização na parte dianteira dos trios. Os trios “trucados” tinham algumas limitações, como a dimensão (comprimento máximo 16 metros) e o peso (máximo 25 toneladas), juntamente com uma maior dificuldade de manobras e de deslocamento nas estradas.

 

Trio Elétrico tipo carreta, do início dos anos 2000.

No início dos anos 2000, a grande maioria dos trios passou para uma construção sobre carretas (normalmente com três eixos), tracionadas por caminhões do tipo “cavalo mecânico”. Esta nova configuração possibilitou uma grande ampliação das dimensões (hoje existem trios com mais de 25 metros de comprimento e mais de 60 toneladas), o que possibilitou também expressivo aumento da capacidade sonora, mais espaço promovendo segurança e conforto para artistas e convidados, possibilidade de instalação de dois geradores de energia para maior segurança durante os eventos, bem como a incorporação de grandes e confortáveis camarins artísticos dentro dos trios, e banheiros em quantidade suficiente para a quantidade de pessoas em cima dos trios durante os eventos.

A dificuldade inicial dos trios em carretas era a impossibilidade do P.A. dianteiro avançar sobre a cabine (devido à articulação e a maior distância), gerando rebatimento do som na traseira da cabine, prejudicando muito a sonorização, ou culminando na necessidade de fabricação de trios muito altos, com dificuldade de circulação nas cidades e rodovias. Este problema foi sanado pela adoção de sistemas hidráulicos para elevação do P.A. dianteiro de forma que a projeção do som se de acima da cabine durante os eventos, e permitindo a circulação quando abaixado.

Junto com a evolução dos trios trucados para as carretas, vieram outras melhorias como a adoção de avanços laterais em toda a extensão do trio aumentando a área superior e as áreas internas, elevação do P.A. traseiro, utilização dos espaços sobre os P.A.s dianteiro e traseiro para convidados, cobertura do palco mais eficiente, adoção de materiais mais leves e resistentes na construção da estrutura, melhorias de design e acabamento com pinturas especiais e inox, redução dos espaços ocupados pelos geradores e amplificadores, liberando espaço interno para camarins e banheiros, entre outros.